quarta-feira, 17 de novembro de 2010

TEORIA MUSICAL E REGÊNCIA

MÚSICA - é a arte que utiliza os sons de maneira ordenada para expressão e transmissão de sentimentos e idéias.
Quatro propriedades fundamentais caracterizam os sons musicais:
1. Altura - permite distinguirmos sons mais agudos (fininhos) de sons mais graves (grossos). Depende do número de vibrações contáveis por segundo, sendo que quanto maior o número de vibrações mais agudo o som.
2. Duração - permite distinguirmos sons mais prolongados de sons menos prolongados. Depende do tempo em que a nota sonora fica em vibração.
3. Intensidade - permite distinguirmos sons mais fortes de sons mais fracos. Depende da maior ou menor amplitude das vibrações sonoras.
4. Timbre - permite distinguirmos tipos diferentes de sons, produzidos por instrumentos ou vozes diferentes. Chamam-no de "cor" do som. O timbre é o que nos permite distinguir o som de um violino do de uma trompa, ou mesmo de dois violinos, etc. Depende de uma serie de sons concomitantes, secundários, também chamados sons harmônicos que vibram junto com o som principal.
Assim como acontece com a linguagem falada, a linguagem musical também pode ser escrita. A linguagem comum, utilizando-se de um alfabeto, une silabas, forma palavras, frases e períodos. A linguagem musical une sons, forma motivos (células), frases e períodos que, ao serem escritos, utilizam-se de sinais especiais colocados sobre uma pauta especial.
Pauta musical (pentagrama) - É um conjunto de 5 linhas e 4 espaços paralelos, horizontais e eqüidistantes, sobre o qual escrevemos música:
Contam-se de baixo para cima.
Baseados na primeira propriedade de som musical, para escrevermos a altura dos sons usamos as notas, que são bolinhas ovais colocadas nas 9 posições diferentes que a pauta oferece (5 linhas e 4 espaços). Quando a bolinha sobe, representa um som mais agudo, e, quando desce, um som mais grave.
As notas são em número de 7:
(Ordem da subida: DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ e SI.)
(Ordem da descida: SI, LÁ, SOL, FÁ, MI, RÉ e DÓ.)
Após a sétima nota elas se repetem sucessivamente em alturas diferentes para dar oportunidade a todos os tipos de vozes e se instrumentos de as usarem na extensão ou altura próprias.
Se precisamos escrever sons mais graves ou mais agudos do que os que cabem na pauta, fabricamos mais linhas e espaços abaixo e acima da pauta, que recebem o nome de linhas e espaços auxiliares complementares ou suplementares, e se contam de perto para mais longe da pauta:
São em número de quantos precisarmos.
Não podemos adivinhar em que posição da pauta foram escritas as notas. Por isso, a pessoa que escreve a música deixa um sinal na pauta para que a que for ler saiba onde foi colocada determinada nota, por meio da qual descobrirá as outras seguindo a ordem. Quando a pessoa quer indicar onde colocou o SOL usa este sinal - ; para o DÓ, usa - , e para o FÁ usa .
Três sinais colocados em sete posições diferentes, e que se chamam claves. Sua função é, portanto, dar nome às notas designando sua posição na pauta e na altura.

Note-se que o DO chamado central pode estar escrito em todas as linhas da pauta e na primeira suplementar tanto superior como inferior, dependendo da clave que for usada.
As mais usadas são a de sol (2ª linha) e a de fá (4ª linha), as claves extremas. A de sol se presta para escrever os sons da região central para a aguda (vozes femininas no hinário), e a de fá para os sons da região central para a grave (vozes masculinas no hinário).

Antes de passarmos para a segunda propriedade, mencionaremos rapidamente as seguintes, e depois voltaremos a ela.
Baseados na terceira propriedade, para indicarmos a intensidade em que os sons devem ser executados usamos letras e sinais que se chamam sinais de dinâmica:

ff - fortíssimo
f - forte
mf - (mezzo forte) meio forte
mp - (mezzo piano) meio suave
p - (piano) suave
pp - (pianíssimo) suavíssimo.


cresc. (aumentando para mais forte)
dim. (diminuindo para mais suave)
Note-se que a língua italiana foi escolhida como língua padrão para todos os termos de música.
Baseados na quarta propriedade, o timbre é indicado pela pessoa que o requer, escrevendo o tipo de voz ou instrumento que deve executar o trecho. Assim virá especificado se a música é para violino e piano, ou se para barítono e órgão, ou se para coral misto, etc. etc.
O som mais prolongado escrevemos usando apenas uma bolinha vazia , que se chama semibreve, e, por ser o som "maioral", recebe o número 1.
Para representarmos o som que soe a metade do tempo da semibreve usamos ou , além da bolinha (cabeça), um palitinho (haste); chama-se mínima e recebe o número 2 por ser a metade da semibreve, e serem necessárias duas mínimas para somarem o valor de uma semibreve.
Para representarmos um som que soe a metade da mínima usamos ou , com a bolinha pintada, que se chama semínima e recebe o número 4, por ser 4 vezes maior que a semibreve, e assim por diante; colcheia ou , número 8, com uma bandeirinha (colchete), sempre para a direita; seguem-se a semicolcheia ou (16), a fusa ou (32) e a semifusa ou (64), respectivamente, todas sendo metade do valor anterior e o dobro do valor seguinte, conforme ilustra a tabela que se segue:

Valor Figura Nome Tempo soando (quadro relativo)
1 Semibreve
2 Mínima
4 Semínima
8 Colcheia
16 Semicolcheia
32 Fusa
64 Semifusa
Esses sinais recebem o nome de figuras, e representam o valor, a duração do som.
Ao lado destas aparecem às figuras negativas, ou pausas, que são os mesmos valores em silêncio, representando, portanto, silêncio na música.

Valor Figuras Simples Figuras Negativas (pausas)
1
2
4
8
16
32
64
Usam-se ainda as figuras compostas que são as que têm um pontinho do lado direito (chamado ponto de aumento) com a função de acrescentar mais metade do valor da figura.






As figuras com dois pontos de aumento chamam-se irregulares, sendo que o 2º ponto acrescenta a metade do valor do primeiro; existem ainda até as que possuem três pontos, sendo que o 3º acrescenta metade do valor do 2º, ou seja, 1/4 do 1º e 1/8 do valor da figura. Exemplos:


Com todas estas figuras podemos representar a duração de qualquer som que desejarmos.
Resta mencionarmos algumas figuras que existiam na Idade Média, e que, apesar de modernamente terem caído em desuso, ser-nos-ão úteis ainda em alguns exercícios:

= Máxima (dobro da longa)
= Longa (dobro da breve)
= Breve (dobro da semibreve)
= Semibreve - 1
= Mínima - 2 - etc.
Na linguagem falada é muito fácil percebermos quais são as silabas acentuadas de uma frase. Com um pouco de concentração nota-se que qualquer música apresenta também no meio de seus sons alguns que são mais pesados, que têm uma inflexão maior, e outros desprovidos desta acentuação. Cante-se, por exemplo, o primeiro hino do hinário, e sentiremos que os sons mais acentuados da melodia são os que coincidem com as sílabas em negrito:
Ó Deus de amor, vimos nós Te adorar;
Vós, ó nações, rendei louvor... etc
Se cantarmos o nº 423, sentimos que a acentuação é descarregada nas seguintes sílabas em negrito:
Oh, como é grande, doce a promessa
Feita por Cristo, nosso bom Rei, ... etc
Se cantarmos o nº 316, será nas seguintes em negrito:
Silêncio! Silêncio, na casa de Deus.
Mensagem de graça recebe dos Céus, etc
Esta seqüência de sons mais acentuados e menos acentuados que esta presente em todas as músicas provoca um movimento semelhante ao da nossa respiração. Este movimento é periódico e se repete, assim como uma respiração sucede outra. Quando inspiramos tomamos um impulso que descarregamos (repouso) quando expiramos. Na palavra "Silêncio", o "Si" corresponde ao impulso e o "lêncio" ao repouso, e assim por diante. A este movimento de repouso e impulso damos o nome de compasso musical.
Toda vez que chegamos a um som mais acentuado (repouso), estamos começando um novo compasso, donde se deduz que um repouso (I) formarão um compasso, e o repouso seguinte se unirá com o impulso que lhe segue para formar o compasso seguinte. Em nosso hinário é fácil localizarmos o começo do compasso, pois existe um traço vertical cortando as cinco linhas da pauta no ponto ele começa, que tem o nome de barra divisória, com a função de indicar, além da separação dos compassos, que o som do seguinte é o acentuado (começo do R), pelo que também poderia ser chamado de barra de acentuação.
Aguçando um pouquinho a percepção, enquanto cantamos o primeiro hino podemos notar em que o tempo em que soa o repouso (R) demora o mesmo tanto que o do impulso (I), podendo, portanto, ser o compasso dividido em duas partes iguais. É fácil verificarmos isto se, enquanto cantamos o impulso (I) fizermos um movimento com a mão levantando-a e baixando-a no repouso (R).
No segundo exemplo que citamos (nº 423) já não acontece a mesma coisa, poi o R (palavra "grande") demorará o dobro do tempo que os três tempos do I levam para ser entoados. O movimento que fizermos com a mão ficará em baixo (R) o dobro do tempo daquele que usamos levantando a mão (I). Nesta proporção o compasso poderá ser dividido em três partes iguais, duas para o R e uma para o I.
No terceiro exemplo (nº 316) a diferença entre o I e o R é ainda maior, pois "lêncio" (R) leva três vezes mais tempo para ser cantado do que o "S -"(I).
O R será três vezes maior do que o I, e o compasso poderá ser dividido em 4 partes iguais. O gráfico seguinte ilustra claramente o que dissemos:
Nº1

Ó     Deus de a - mor,  vimos  nós   Te ado - rar;
(R = I)
Nº 423

Oh, como é  grande,  doce a pro - messa      feita por       Cristo,     nosso bom   Rei
(R = o dobro de I)
Nº 316

Si       lêncio!       Si        lêncio,      na         casa       de      Deus.
(R = o triplo de I)
Nestes esquemas gerais temos todos os tipos de compasso que há no hinário, que são aliás, os mais usados na música.
O compasso que tem o R e o I iguais chama-se Binário. Cada uma das partes iguais em que pode ser dividido o compasso chama-se tempo. O compasso binário terá, portanto, como conseqüência dois tempos.
O compasso cujo R demora o dobro do I, chama-se ternário, e, podendo ser dividido em três partes iguais, terá em conseqüência três tempos (2 no R e 1 no I).
O compasso cujo R demore três vezes mais do que o I chama-se quartenário, e por poder ser dividido em quatro partes iguais, terá conseqüentemente quatro tempos (3 no R e 1 no I).
Note-se que cada compasso possui apenas 1 R e 1 I; a diferença esta na proporção do tempo que eles demoram.
Outro ponto importante é que o 1º hino começa no 1º som do R; nestes casos dizemos que o começo é tético. Nos outros casos, começam no I; e quando o começo não esta no começo do R, dizemos que o começo é protético, ou anacrúsico.
Para escrevermos os sons da música devemos associar as notas (altura dos sons) com as figuras (duração dos sons) dentro do esquema geral do compasso.
A primeira coisa, portanto, que uma pessoa deve fazer ao inventar uma melodia é sentir em que compasso está. Depois deve decidir, ou melhor, escolher dentre as figuras uma padrão para um tempo, que se chama unidade de tempo (figura escolhida da tabela para preencher o valor de um tempo). Tanto da tabela de figuras simples como da de figuras compostas pode ser escolhida a unidade de tempo; no primeiro caso o compasso será simples e no segundo será composto.
A unidade de compasso é um valor que reúne todos os tempos do compasso.
As variedades de compassos que existem decorrem da associação dos compassos binários, ternários, e quaternários com todas as unidades de tempo possíveis.
Assim podemos formar:
BINÁRIOS SIMPLES
2 , 2 , 2 , 2 , 2 , 2 , 2






BINÁRIOS COMPOSTOS
2 , 2 , 2 , 2 , 2 , 2 , 2






TERNÁRIOS SIMPLES
3 , 3 , 3 , 3 , 3 , 3 , 3






TERNÁRIOS COMPOSTOS
3 , 3 , 3 , 3 , 3 , 3 , 3






QUATERNÁRIOS SIMPLES
4 , 4 , 4 , 4 , 4 , 4 , 4






QUATERNÁRIOS COMPOSTOS
4 , 4 , 4 , 4 , 4 , 4 , 4






Como exercício, de cada tipo de compasso poder-se-ão escrever três compassos, sendo o 1º em unidades de tempo, o 2º em subdivisão da unidade de tempo e o 3º na unidade de compasso, lembrando-nos de que a semifusa não se subdivide, por ser a ultima.
EXEMPLOS:
2
1 2
1
2

1-2

2
1 2
1
2

1-2

2
1 2
1

2


1-2

.
2
1 2
1

2


1-2

3
1 2 3
1
2
3

1-2-3

3
1 2 3
1
2
3

1-2-3

3
1 2 3
1

2

3


1- 2 - 3

3
1 2 3
1

2

3


1-2- 3

4
1 2 3 4
1
2
3
4

1234

4
1 2 3 4
1
2
3
4

1234

4
1 2 3 4
1

2

3

4


1234

.
4
1 2 3 4
1

2

3

4


1234

.
Infelizmente, quando a pessoa que escreveu a música vai indicar, no inicio da pauta, o tipo de compasso que usou, não o faz de forma que acabamos de mostrar, mas procura substituir a figura pelo número que lhe corresponde, usando assim uma formula de compasso que nada mais é do que números sobrepostos que indicam o tipo de compasso usado.
Nos compassos simples o processo é prático e lógico:
Observe-se porém, que não se trata de fração, mas de fórmula de compasso, devemos escrever e dizer, portanto, (dois por quatro) e não (dois quartos), (três por oito) e não (três oitavos); (quatro por dois), e não (quatro meios), etc.
Nos compassos simples, vê-se que o número de cima mostra se o compasso é binário, ternário ou quartenário, e o número de baixo já é o da unidade de tempo.
As coisas, porém, se complicam no compasso composto, pois as figuras compostas, não possuindo um número próprio correspondente por serem pontuadas, dificultam o processo de substituição por números e que requer uma explicação mais cuidadosa.
Como dissemos, , , , , etc. não tem número correspondente. A pessoa se depara com a mesma dificuldade daquele que quer pagar um bombom de 3 reais com uma única cédula ou nota. Esta nota de três reais não existe; a pessoa usa 3 notas de 1, que vão dar o total de 3. O mesmo raciocínio se usa para as figuras compostas; não tem número, mas = . Se fossem 2 bombons, ou seja, um compasso binário, = deveriam ser pagos com 6 notas de 1, logo,
No caso de composto ternário seria mais um tempo: = , donde se deduz:
Nos quaternários seria: = , ou
Aplicando o mesmo raciocínio para as outras unidades, veremos que sempre os binários compostos corresponderiam a 6 figuras simples da subdivisão da unidade de tempo; os ternários sempre 9 e os quaternários sempre 12 (vide exercícios feitos com os compassos compostos). O número de baixo, portanto, não será o da unidade de tempo como nos compassos simples, mas será o de uma figura simples que apareceu da subdivisão da unidade de tempo composta. Ora, para se descobrir a unidade de tempo basta, portanto, somarmos 3 das do número de baixo, e teremos uma figura composta. A correspondência entre as fórmulas que estudamos e as que se usam apenas com números, será:
No hinário, os compassos usados são:
A unidade de tempo sempre aparece em cima dos hinos como ponto de referencia para o Andamento.
Andamento na música é a velocidade dos tempos, que pode pertencer a três categorias:

Grave - mais ou menos 40 a 44 tempos p/ minuto
Lentos Largo - +/- 46 a 48)

Larghetto - +/- 50

Adágio - +/- 52-56

Andante +/- 60 (1 tempo por segundo)
Moderados Andantino +/- 69-72

Moderado +/- 76-92

Allegretto +/- 96-104
Rápidos Allegro +/- 112-120

Vivace +/- 126-138

Presto +/- 146
Há ainda alguns parciais, como por exemplo:
Acell. (acelerado)
Rit. (retardando), etc.
À vezes aparece na música um grupo de figuras que vem em número diferente do que o normal. A estes grupos damos o nome de grupos irregulares. Os mais comuns são:
Tercina - 3 figuras no lugar de 2 da mesma espécie. Ex.: Hinos 46, 545, 505, etc.
Quintolê e Sextina - 5 e 6 figuras, respectivamente, no lugar de 4 da mesma espécie.
Duolê - 2 figuras no lugar de 3 da mesma espécie.
Há muitos outros, mas todos eles sempre indicam com um número acima ou abaixo do grupo o número irregular de figuras.
Já vimos que existem sons na música que são mais fortes, mais acentuados do que outros, lembrando-nos de que o começo do repouso (e do compasso) é o som mais forte, deduzimos que o 1º tempo de cada compasso é forte e os outros fracos, uma vez que o peso já foi descarregado no 1º. Quando os tempos estão subdivididos em mais sons, a primeira parte dos tempos fracos se apresenta com uma acentuaçãozinha secundária, não tão forte quanto o primeiro tempo, que é inconfundível.
Quando um som mais fraco se liga a um mais forte na mesma altura, ocorre uma síncope (Exemplos nos hinos 369 e 267).
Quando na parte mais forte aparece uma pausa (silêncio) seguida de som na parte mais fraca, dá-se um contratempo (Exemplos nos hinos 54, 16 e 46 - vozes masculinas).
Outros sinais que usamos na música são:
Ligadura -
Linha curva que une os sons. No caso de sons da mesma altura, não se repete o segundo, apenas se prolonga o 1º somando-se o valor do segundo. No hinário significa que uma sílaba deve ser vocalizada em 2 ou mais sons. (Ex.: nº 335).
Fermata - - Sinal que obriga a parada dos tempos (sinal vermelho), fazendo a figura sobre a qual esta colocado se prolongar tanto tempo quanto for o gosto de quem esta cantando, dirigindo ou tocando. O bom senso naturalmente vai indicar quando chega...
Sinais de Repetição - - Repetir o trecho que esta dentro destas barras duplas com pontinhos.
Na 2ª vez passar diretamente para a casa "2" sem tocar novamente a "1", e depois prosseguir.
D.C. - Voltar ao começo
D.S. - Voltar ao sinal -
Exemplos: 508, 269, 238, 25, etc.
Uma sucessão de sons em ordem ascendente ou descendente forma uma escala. Cada um dos sons que a compõem chama-se grau. Sendo que os sons não são da mesma altura, existe diferença de altura entre um e outros. A essa diferença de altura entre um e outro, digo, entre dois sons, damos o nome de intervalo musical. Quando dois sons estão na mesma altura, o intervalo chama-se uníssono.
Existem escalas de 4, 5, 6, 7 e 12 sons diferentes; o nosso sistema musical usa a de 7 sons diferentes (como vemos no estudo das notas), e lemos por oitavas, ou seja, repetindo a primeira na parte aguda (oitava nota). Quando dentro do nosso sistema musical, a diferença de altura entre dois sons é tão pequena que não cabe nenhum som intermediário, forma o menor intervalo que temos, chamado Semitono. Se, porém, a diferença de altura já for um pouco maior, de tal maneira que caiba apenas um som intermediário, sendo portanto dois semitonos, o intervalo recebe o nome de Tono (Há quem use chamar semitom e tom para estes intervalos), mas preferimos fazer diferença entre Tono - intervalo - e Tom - som fundamental de uma escala. Modo de uma escala é à disposição dos intervalos entre os graus da escala. Usamos dois modos:
Modo Maior: quando a escala obedece à seguinte disposição de intervalos:
(2 tonos, 1 semitono, 3 tonos e 1 semitono)
Modo Menor:
Modelo de escala maior existe entre nossas notas naturais se começarmos no Dó e terminarmos no Dó (oitava acima).
O modelo de menor aparece se começarmos e terminarmos com Lá:
Notamos que naturalmente entre Do-Ré, Ré-Mi, Fá-Sol, Sol-Lá, Lá-Si aparecem Tonos, e entre Mi-Fá e Si-Dó aparecem Semitonos. Isto desperta a pergunta: Que nomes recebem os sons intermediários que existem entre as notas que tem 1 Tono entre si? Eles não têm nome próprio, mas usam o nome dos vizinhos mais próximos associados a certos sinais que recebem o nome de sinais de alteração ou acidentes, que são:
- sustenido - eleva um semitono
- bemol - rebaixa um semitono
- bequado - anula o efeito dos outros fazendo voltar ao natural
- dobrado sustenido - eleva um tono
- dobrado bemol - rebaixa um tono
- anula um sustenido e conserva um
- anula um bemol e conserva um
Assim, entre Dó e Ré existe um som intermediário que pode ser chamado de Dó ou de Ré. Entre Ré e Mi há outro que pode ser ou Ré ou Mi. Mi coincide com o Fá e Fá coincide com Mi. Entre Fá e Sol existe Fá ou ou Sol; entre Sol e Lá existe Sol ou Lá; entre Lá e Si existe Lá ou Si; Si coincide com Dó e Dó coincide com Si. Dó será na mesma altura do Ré, e Ré será na mesma altura do Dó e assim por diante.
A maior utilidade destes acidentes é a de permitir formas escalas dos dois modos baseadas em qualquer nota. Assim, se quisermos formar uma escala que esteja no modo maior a partir da nota Sol, notaremos que de Sol para Lá existe T, de Lá-Si T, Si-Dó St, Dó-Ré T, RÉ-Mi T; e só o Fá estaria deslocado formando St com Mi e não com Sol. Usando Fá a escala se encaixa no esquema do Modo Maior . Obteremos, a partir de Sol, uma escala que soa de maneira idêntica à de Dó Dó, por obedecer em ordem, aos mesmos intervalos.:
Estes acidentes têm, portanto, quando colocados no começo da pauta, a função de corrigir a disposição dos intervalos entre os gruas da escala sobre a qual está baseada a música, encaixando-a num determinado modo, e valem para toda a música; quando ocorrem no meio da música valem apenas para o compasso em que estão escritos. Daí o nome de acidentes fixos e acidentes ocorrentes.
Estes dois tipos de escala que usamos são copiados do que os gregos na antiguidade clássica praticavam. Assim, nossa escala Maior nada mais é do que uma escala que os gregos obtinham reunindo dois grupos de 4 sons seguidos (tetracordes - 4 sons) dentre os do gênero diatônico (que só se utilizava Tonos e Semitonos), e que tinham a seguinte disposição:
Dois tetracordes iguais de , com um Tono entre os dois.
Pelo processo de se considerar os 2 tetracordes como 1º de uma nova escala, aparecerá sucessivamente, uma escala baseada em Sol (com 1 , como já vimos), depois uma em Ré (com 2 ), depois uma em Lá (com 3 ), e assim por diante.
Pelo processo de se considerar o 1º tetracorde como o 2º de uma nova escala aparecerá sucessivamente, uma escala baseada em Fá (com 1 ), depois uma em Si (com 2 ), e assim por diante, formando um conjunto de 15 escalas maiores (7 com sustenidos, 7 com bemóis e uma sem acidentes fixos).
Damos a seguir uma tabela das escalas com seus respectivos acidentes, lembrando que a ordem em que aparecem os é - Fá-Dó, Sol-Ré, Lá, mi, e Si; a dos bemóis é - Si, Mi, Lá, Ré, Sol, Do e Fá:
Sem acidentes - Dó M ou Lá m (dó maior e Lá menor)
1 - Sol M ou Mi m 1 - Fá M ou Ré m
2 - Ré M ou Si m 2 - Si M ou Sol m
3 - Lá M ou Fá m 3 - Mi M ou Dó m
4 - Mi M ou Dó m 4 - Lá M ou Fá m
5 - Si M ou Sol m 5 - Ré M ou Si m
6 - Fá M ou Ré m 6 - Sol M ou Mi m
7 - Dó M ou Lá m 7 - Dó M ou Lá m
Deve-se notar que, quando uma escala tem 1 acidente, é o primeiro da ordem; quando tem 2 acidentes, são o 1º e o 2º da ordem; quando tem 3 acidentes, são o 1º, o 2º e o 3º da ordem.
Quando duas escalas de modos diferentes têm os mesmos acidentes fixos dizemos que uma é relativa a outra.
A diferença entre um modo e outro está nos intervalos que o III, o VI e o VII graus formam sobre o primeiro, que no modo menor é um semitono a menos do que no Maior. Por isto estes gruas recebem o nome de gruas modais, pois determinam o modo.
É bom que saibamos que cada grau de escala tem seu nome, de acordo com sua função:
I --- Tônica
II --- Sobretônica
III --- Mediante
IV --- Subdominante
V --- Dominante
VI --- Sobredominante ou Superdominante
VII --- Sensível
VIII --- Repetição Tônica
Como dissemos a princípio, estamos apresentando a parte da teoria musical necessária e suficiente para se entender a escrita musical; os que se desejam aprofundar um pouco mais, deverão fazê-lo em outros compêndios.
Resta apenas fazermos uma ligeira explicação sobre os sinais
que aparecem sobre os hinos no "Cantai ao Senhor". Eles indicam os membros da frase musical.
A música é uma linguagem semelhante à que usamos ao falar. Uma frase com sentido completo é composta de elementos ou objetos, etc. Assim, uma oração como: "tua casa é bonita", é formada de quatro palavras; a primeira dá idéia de posse, a segunda dá idéia de uma construção, a terceira dá uma idéia de afirmação, e a quarta dá idéia do aspecto que a casa tem; estas quatro idéias formam a frase com sentido completo.
A mesma coisa acontece com a frase musical; algumas idéias se reúnem para formar uma frase. Estas "palavras" da música chamam-se motivos ou células musicais. Estes motivos vão formando as frases, e as frases vão formando os períodos.
É muito fácil vermos na linguagem escrita onde começa e onde termina uma palavra, pois existe um espaço isolando uma da outra; e se não fosse assim seriabemmaisdificildeseperceberondecomeçariaumaeondeterminarianoslevandoaumsistemadeescrita bastante primitivo, igual ao usado quando nossa Bíblia começou a ser escrita, separação nas palavras e sem pontuação.
A música ainda está, infelizmente, escrita desta maneira, e só a analise fraseológica do trecho é que permite distinguir as idéias que formam a frase, e as frases que formam o período. O que a linguagem escrita conseguiu isolando as palavras e usando a pontuação, a fraseologia musical, usando estes sinaizinhos, fez pela música.
Seria bom que todos soubessem o que há no hinário: um trabalho tão lógico, simples e rudimentar quanto o da separação de palavras e da pontuação na linguagem escrita.
Dois ou três motivos musicais formam meia frase. Duas ou três meias-frases formam uma frase. Uma ou mais frases podem formar um período musical. separa os motivos musicais; separa as meias frases; separa as frases, e conclui o período.
Exemplo: o cântico nº 29, o período é formado por duas frases.
A primeira é binária, formada de duas meias frases ternárias; a segunda é ternária, formada de três meias frases, sendo duas binárias e uma ternária.
Os movimentos que usamos normalmente para a regência dos hinos, são os seguintes, se praticados com a mão direita:

PERCEPÇÃO MUSICAL


Percepção musical
A percepção musical é a capacidade de perceber as ondas sonoras como parte de uma linguagem musical. Envolve especialmente a identificação dos atributos físicos do som, como volume, timbre e afinação (percepção sonora), mas também elementos musicais como melodia (percepção melódica) e ritmo (percepção ritmica).
Visto como indispensável para musicistas, foram desenvolvidos uma série de métodos destinados a aumentar esta capacidade em crianças e adultos. Cursos de música (em universidades, conservatórios ou mesmo em escolas regulares), tipicamente, reservam várias aulas com este propósito.
O termo percepção musical é, muitas vezes, usado como sinônimo de percepção sonora, nesse caso desconsiderando melodia, ritmo e elementos de linguagem musical.
Altos níveis de percepção musical são sinais de apurada capacidade de análise sonora. Ajudam muito mas não garantem a musicalidade do indivíduo, visto que não tem relação direta com capacidades de produção sonora. Algumas tarefas esperadas de uma alta percepção musical incluem a identificação de escalas a partir de melodias; acordes e progressões de acordes em trechos musicais; nunances interpretativas; harmônicos; vozes em meio a uma polifonia; e até ruidos indesejáveis em meio a música. O chamado "ouvido absoluto" refere-se à capacidade de identificar e nomear notas musicais apenas pela audição de sons correspondentes.
Dimensão do tempo métrico, ou medido, onde se ouve um tempo ‘de metrônomo’, um tempo contado por unidades de igual duração (tempo de relógio). Nesta dimensão, o conhecimento técnico, analítico prevalece; pensa-se em cada material da música, como por exemplo, no compasso (binário conta 1 2; no ternário conta 1 2 3), no andamento (andante, rápido, lento), na acentuação, na agógica (acelerando, ralentando), e outros. Dimensão de tempo não métrico, que pode ser vivenciado por meio das palavras da canção, seguindo mais os acentos, entonações das frases do texto do que propriamente da métrica definida do compasso. O tempo é mais flexível, elástico, com componentes de expressividade do conteúdo semântico.
Dimensão da corporeidade, que pode ser métrico ou não, mas que seguirá a intuição auditiva; o corpo 'pensa' e responde gestualmente; a percepção é orientada pelos componentes mental (ou cognitivo), afetivo (ou psicológico) e físico-corporal. O corpo expressa a percepção do tempo que pode suspender e/ou deixar o ‘métrico’, para realçar outro componente (melodia, acorde, uma suspensão, uma palavra, etc.) que foi sentido ou percebido como significativo para o intérprete e/ou ouvinte.
Dimensão expressivo-individual que é essencialmente não métrico, ou, se há métrica, com certeza está livre da medida 'contada'. É essencialmente flexível e elástica a vivência temporal nesta dimensão. Um exemplo Que acontece frequentemente é quando o ouvinte tem toda a música na mente, e com isso tem a capacidade de ‘parar’ em uma determinada melodia, evento, ou sonoridade, e lá fica repetindo, voltando, refazendo, curtindo o mesmo em um tempo não-métrico. O tempo, neste caso, é tão variável quanto variável é a concepção do tempo musical.

HISTÓRIA DO BLUES


Blues
Blues é uma forma musical vocal e/ou instrumental que se fundamenta no uso de notas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, com fins expressivos, evitando notas da escala maior, utilizando sempre uma estrutura repetitiva. Nos Estados Unidos surgiu a partir dos cantos de fé religiosa, chamadas spirituals e de outras formas similares, como os cânticos, gritos e canções de trabalho, cantados pelas comunidades dos escravos libertos, com forte raiz estilística na África Ocidental. Suas letras, muitas vezes, incluíam sutis sugestões ou protestos contra a escravidão ou formas de escapar dela.
O blues tem exercido grande influência na música popular ocidental, definindo e influenciando o surgimento da maioria dos estilos musicais como o jazz, rhythm and blues, rock and roll e música country, além de ska-rocksteady, soul music e influenciando também na música pop convencional e até na música clássica moderna.

História

As origens

O blues sempre esteve profundamente ligado à cultura afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos (Alabama, Mississipi, Louisiana e Geórgia), dos escravos das plantações de algodão que usavam o canto, posteriormente definido como "blues", para embalar suas intermináveis e sofridas jornadas de trabalho. São evidentes tanto em seu ritmo, sensual e vigoroso, quanto na simplicidade de suas poesias que basicamente tratavam de aspectos populares típicos como religião, amor, sexo, traição e trabalho. Com os escravos levados para a América do Norte no início do século XIX, a música africana se moldou no ambiente frio e doloroso da vida nas plantações de algodão. Porém o conceito de "blues" só se tornou conhecido após o término da Guerra Civil quando sua essência passou a ser como um meio de descrever o estado de espírito da população afro-americana. Era um modo mais pessoal e melancólico de expressar seus sofrimentos, angústias e tristezas. A cena, que acabou por tornar-se típica nas plantações do delta do Mississippi, era a legião de negros, trabalhando de forma desgastante, sobre o embalo dos cantos, os "blues".

As raízes no delta

Há várias versões sobre aquela que é a primeira composição típica de blues, assim como seu primeiro idealizador. Diz a lenda que o autoproclamado "Pai do Blues" W. C. Handy ouviu este tipo de música pela primeira vez em 1903, quando viajava clandestinamente em um vagão de trem e observava um homem que tocava violão com um canivete. Daí teria surgido aquele que é dito como o primeiro blues da história, St. Louis Blues. Porém o mais correto a afirmar é que o blues surgiu de uma forma mais ambiental e progressiva do que uma única canção. De fato, a instrumentalização das work songs (canções de trabalho) foi o marco inicial para o surgimento do blues como estilo de música.
O primeiro nome popular a surgir como músico específico de blues foi o de Charley Patton, em meados da década de 20. Posteriormente, na mesma época, surgiram nomes como de Son House, Willie Brown, Leroy Carr, Bo Carter, Sylvester Weaver, Blind Willie Johnson, Tommy Johnson entre outros. A princípio, a maioria das canções interpretadas eram cantos tradicionais como Catfish Blues e John The Revelator, canções essas que tiveram vários intérpretes e versões variadas no decorrer da história. Porém, foi na década de 30 que surgiu aquele que é talvez o nome mais influente e idolatrado do blues: Robert Johnson. Influenciado sobretudo por Son House e Willie Brown, Johnson viveu pouco tempo, cerca de 27 anos, sendo que a sua data de nascimento não é totalmente precisa. Vitimado, segundo a lenda, por um whisky envenenado pelo marido de uma de suas amantes. Gravou 29 canções apenas, entre 1936 e 1937, porém consideradas alguns dos maiores clássicos de blues de todos os tempos.
No final dos anos 30 e inícios dos 40 surgiram as primeiras grandes bandas de blues, de Sonny Boy Williamson e Big Bill Broonzy. E a partir de 1942 o blues sofre sua primeira grande "revolução" interna com o soar das primeiras notas eletrificadas do legendário guitarrista T-Bone Walker. Certamente é deste nome que remonta as origens do formato consagrado do blues moderno, baseado na repetição 12 compassos da melodia base e com o solo totalmente livre do acompanhamento, (ou seja, o puro improviso) o que não ocorria até então já que o solista era na maioria dos casos também o responsável pelo parte rítmica instrumental. O que certamente tornou possível a T-Bone Walker ser o precursor do estilo clássico moderno do blues foram suas raízes no Jazz, que posteriormente imortalizariam a marca de seu Blues. Com a explosão do blues em Chicago e o advento da eletricidade na música, o blues atingiu um patamar novo, deixando de ser restrito a um pequeno grupo, para se tornar cultura popular no sul dos Estados Unidos.


Em meados dos anos 40, começa um período intenso de migração do delta do Mississippi para Chicago, que já ocorria há alguns anos, porém de forma mais escassa. A população negra do sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida que lá encontravam, viram em Chicago um lugar para novas oportunidades. Os músicos de Blues que, por essa época, chegavam em grande número a Chicago, encontraram a eletricidade na música, o que possibilitou uma gama enorme de novas possibilidades e os permitiu alçarem vôos mais altos com sua música. Talvez o grande nome dessa nova fase tenha sido o de Muddy Waters, o primeiro a eletrificar todos os instrumentos de sua banda. Com seu blues carregado, poderoso e intenso, Muddy Waters é talvez, junto com Robert Johnson, a figura mais influente e popular do blues americano, sendo o primeiro bluesman a ter seu nome reconhecido fora dos Estados Unidos, sobretudo na Inglaterra, onde influenciaria posteriormente o surgimento de diversas bandas importantes como The Beatles, Yardbirds e The Rolling Stones. Essa última inclusive teve seu nome baseado em uma música de Muddy Waters, Rollin' Stone. Waters compôs e/ou interpretou inúmeros clássicos máximos do blues como Baby Please Don't Go, I Can't Be Satisfied, Honey Bee e Hoochie Coochie Man, entre muitas outras. Sua importância no desenvolvimento do blues como gênero dominante no cenário mundial é tão grande que é necessário um capítulo à parte para descrever toda a sua obra.
Outro grandioso nome do blues surgido nesse período foi o de Willie Dixon. Um dos poucos baixistas líder de banda do Blues, Dixon é considerado o "poeta do blues", já que suas letras se tornaram hinos da cultura bluesística. Sem dúvida é o mais importante compositor da segunda geração do blues. É dele a composição de um dos maiores clássicos, Hoochie Coochie Man, que se tornou famosa na versão de Muddy Waters. Entre outros clássicos estão You Shock Me, I Can't Quit You Baby, Little Red Hooster (composição em parceria com Howlin' Wolf), Spoonful e Back Door Man .
Não menos importante foi o nome de Howlin' Wolf. Guitarrista e gaitista de origem, ficou famoso por sua voz rouca e de um blues bastante swingado. Definiu um estilo impossível de não ser reconhecido, que influenciaria de forma marcante posteriormente músicos como Eric Clapton, Jeff Beck e Stevie Ray Vaughan. Suas parcerias com Willie Dixon renderam verdadeiras obras primas, além de composições conjuntas. Destaques para The Little Red Rooster e Howlin' For My Baby.
A guitarra elétrica se tornou unanimidade absoluta no blues, nesse período, porém nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central do blues quanto B.B. King. Influenciado diretamente por T-Bone Walker, outro virtuose da guitarra solo, B.B. King criou um estilo único e quase inigualável de frasear o instrumento, de forma pura e melódica como poucos conseguem. O seu vibrato tornou-se marca registrada, dando aos solos de guitarra uma forma quase verbal. Sem falar de seu vocal-tenor que muitas vezes se destacava mais que o próprio instrumento. Influenciando praticamente todos os guitarristas que vieram posteriormente, é classificado, merecidamente, como o "rei do blues". De fato, blues e B.B. King hoje são termos quase inseparáveis.
Inevitável não citar a figura de John Lee Hooker, que se identificaria posteriormente pelo seu Booggie, e seu estilo falado de cantar, que se tornaria sua marca registrada. Porém sua importância no blues vai muito mais além do que apenas uma vertente adjunta. Além de ter sido um dos primeiros a eletrificar a guitarra no blues, John Lee Hooker foi o percursor do Blues de Chicago, antes mesmo de Muddy Waters ganhar renome e importância, e suas obras foram de total referência na estilo Rock que estava nascendo.

Os anos 60 e o blues britânico

Um dos momentos mais marcantes do blues foi a apresentação de Muddy Waters em Londres no início dos anos 50. Foi um marco, pois dali em diante o blues ganharia renome internacional e influenciaria o surgimento de novas vertentes musicais, especialmente o rock n' roll. Logicamente Chuck Berry é indiscutível como iniciador do modelo rock, porém sua origem é absoluta no blues, ainda mais na música de Waters. Mas foi o reconhecimento do blues na Inglaterra nos anos 50 que alavancaria o nascimento de uma revolução na história da música ocidental. E foi da fusão do blues, com essa nova vertente, o rock, que nasceria o gênero que marcaria em essência toda a nova geração de músicos que surgia no cenário mundial. Era o blues-rock. Bandas como Rolling Stones, Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas no blues elétrico de Chicago. Talvez o grupo de maior importância no recém surgido cenário blues britânico tenha sido John Mayall and the Bluesbreakers, que além de ter grande influência no crescimento do blues dentro do país, foi a banda-alçapão de músicos que viriam a se tornar importantíssimos nesse cenário musical em ascensão, como Eric Clapton, que posteriormente viria a formar o Cream, Peter Green que sairia do grupo para ser líder e compositor do Fleetwood Mac, e Mick Taylor, que seria requisitado como guitarrista dos Rolling Stones.

E, com o reconhecimento mundial desses músicos, os nomes clássicos do folk-blues americano como Robert Johnson, Son House, Muddy Waters, Howlin' Wolf e B.B. King passaram a ser referências diretas. Foi no Newport Folk festival de 1963 que o blues teve seu auge, com a apresentação de diversas figuras consagradas do estilo. Daí em diante praticamente todos os músicos dos mais diversos estilos provenientes do rock e blues regravaram clássicos antigos. O Led Zeppelin, em seu primeiro álbum gravou uma série de composições de Willie Dixon, porém incluindo como autoria própria, o que resultaria em uma batalha judicial, que obrigaria a banda a identificar Dixon como autor original.
Na América, os efeitos foram diretos, e músicos como Creedence Clearwater Revival, The Doors, Bob Dylan e Jimi Hendrix desenvolveram seus estilos próprios fundamentados nas raízes do blues. Internamente, nomes como Albert King, Freddie King e Buddy Guy, iniciaram uma mudança na sonoridade do blues, juntando elementos típicos do rock, a guitarra distorcida e pesada, com o som tradicional, o que levaria alguns puristas a rejeitarem essa nova "moda" que contrariava o purismo tradicional da música.

O renascimento nos anos 80

Durante os anos 70, o blues, como forma predominante de influência musical, que havia influenciado o surgimento de diversas outras tendências, ia perdendo espaço cada vez mais para os elementos eletrônicos e especialmente da era disco. Até meados dos anos 80 o blues quase inexistia como estilo musical. As aparições dos músicos clássicos de Chicago eram cada vez mais esporádicas, e a própria nova moda rejeitava a sua tendência não comercial contrastante com a fase "Dancing" dos anos 80. Porém foi com o guitarrista texano Stevie Ray Vaughan, que o blues ganhou novas forças. Virtuoso e intenso ao tocar, Vaughan trouxe à tona um estilo até então adormecido, regravando clássicos e criando uma marca própria, unindo elementos típicos do blues de Chicago de Albert King, B.B. King e Howlin' Wolf, com o virtuosismo de Jimi Hendrix. Medalhões apagados como B.B. King, Eric Clapton e outros voltavam a ser referências, e Vaughan foi o responsável por essa nova fase. Vaughan gravou quatro álbuns de estúdio, e neles estão composições que se tornaram referências ao blues e suas vertentes. Suas interpretações variavam do blues tradicional (Pride and Joy, Texas Flood), ao cool jazz (Stang's Swang, Riviera Paradise), passando por soul music (Life Without You), funk rock (Could't Stand't The Weather) e shuffle (Rude Mood). Após a sua morte prematura em 1990, o blues nunca mais teve a mesma força e influênca que teve em tempos passados, e por isso seu nome é lembrado como um verdadeiro herói na história do blues. Coincidentemente ou não, o desaparecimento gradativo do blues no cenário mundial nos anos 90, coincidiu com a queda de praticamente todas a vertentes musicais expressivas, que foram cedendo espaços a estilos comerciais voltados para a mídia e para o marketing, pouco preocupados com uma expressão artística e cultural, da música como forma de transmissão de idéias e emoções, o que levou a uma queda acentuada na qualidade artística das composições musicais nesse final de milênio. Porém numa proporção mais restrita, novos músicos de blues surgem no cenário musical americano como Keb' Mo' e Corey Harris, mas ainda longe de ser expressivo e significativo como outrora fora.

Blues de dança

Blues é também o nome do estilo de dança informal conhecido por “swing dancing”, estilo sem padrões fixos e principalmente baseado no contacto, sensualidade e improvisação.

Exemplos

Referências

  1. The Evolution of Differing Blues Styles. How To Play Blues Guitar.
  2. Howard A. DeWitt, Morten Reff. Chuck Berry, rock 'n' roll music. [S.l.]: Pierian Press, 1985. 0876501714, 9780876501719
  3. Gérard Herzhaft, Paul Harris, Jerry Haussler, Anton J. Mikofsky. Encyclopedia of the blues. [S.l.]: University of Arkansas Press, 1997. pp. 185. 1557284520, 9781557284525
  4. James E. Perone. Mods, rockers, and the music of the British invasion. [S.l.]: ABC-CLIO, 2008. pp. 123. 0275998606, 9780275998608
  5. Justin Lewis, Toby Miller. Critical cultural policy studies: a reader. [S.l.]: Wiley-Blackwell, 2003. pp. 245. 0631223002, 9780631223009

Ligações externas

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